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Câmbio Climático e o uso do GLP. Pode ser essa uma solução?
André Donha Lopes
Diretor Executivo - AIGLP
A crescente demanda dos mercados internacionais e a busca por um posicionamento cada vez mais competitivo de organizações e de países em desenvolvimento, somado ao poderio econômico das sociedades industrializadas, faz com que nosso planeta sofra conseqüências severas, afetando o estilo de vida atual e projetando para que em 30 ou 40 anos, a qualidade de vida baixe de sobremaneira caso algo não seja feito imediatamente.
Nosso planeta vive um difícil momento, já que não consegue mais de maneira natural, absorver e transformar os gases causadores dos efeitos nocivos ao meio ambiente, responsáveis pelo Câmbio Climático e que são provenientes da atividade humana. Entre eles, se encontram aqueles que agravam o Efeito Estufa, conhecidos como GHG ( Green House Gases ).
Sabemos que o Efeito Estufa é um efeito natural, sem o qual a temperatura media da Terra seria de aproximadamente -10º C, dificultando a existência da vida como conhecemos hoje. Por outro lado, o excesso de emissão de alguns gases como o Dióxido de Carbono (CO 2 ), e Metano (CH 4 ) e o Oxido de Nitrogênio (N 2 O), faz com que incremente cada vez mais a temperatura media do Planeta. Segundo cientistas e especialistas, as conseqüências do agrave deste efeito são inimaginavelmente desastrosas, afetando o equilíbrio da natureza, derretendo as placas polares, aumentando o nível do mar, incrementando a ocorrência de tempestades, cada vez mais fortes e freqüentes, inundações constantes entre outros efeitos.
A queima de combustíveis fósseis resulta no aumento de emissões dos GHG e é vista hoje em dia como uma das principais causas agravantes do câmbio climático. Soluções viáveis podem ser estudadas através de ações dos governos das nações que são imensamente industrializadas, somadas àquelas em constante desenvolvimento, desde que se invista tempo e recursos para uma regulamentação eficaz e legislação apropriada, de maneira que facilite ações que possam reverter este quadro.
O incremento da utilização do Gás Liquefeito de Petróleo - GLP, mesmo considerado um energético “ non-zero GHG”, deve ser entendido como uma solução, rápida, abundante, moderna e eficaz para a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa, quando utilizado no lugar ou em conjunto de outros energéticos que geram mais poluição. Quimicamente, por conter geralmente em sua composição de 3 a 4 átomos de carbono por molécula, o GLP emite “ estequiometricamente ” menos CO 2 que outros combustíveis, como a gasolina, querosene, diesel, fueloil, lenha ou carvão que possuem cadeias carbônicas muito maiores. Ainda com relação às emissões de CO 2 , o gás liquefeito de petróleo somente perde para o Gás Natural, pois este é composto por Metano e possui somente um carbono em cada molécula. Por outro lado, o gás natural necessita grande investimento para sua disponibilidade, não chegando a todos os cantos quando comparado ao GLP, possuindo ainda risco de falta de fornecimento em algumas zonas de alto consumo. Por fim, quando este último resulta em fuga, sua presença afeta enormemente mais o efeito estufa que o próprio CO 2 , principalmente por possuir densidade menor que a do ar e aceder bastante rápido às camadas mais altas da atmosfera.
O GLP soma uma quantidade de características que lhe confere uma série de vantagens frente a seus concorrentes, entre elas se destaca: uma queima limpa, um produto transportável, de fácil armazenamento, de baixo custo, imensamente conhecido e disponível, moderno, com baixo conteúdo de carbono, baixo ciclo de vida na atmosfera (instabilidade como vapor), substituto ideal no caso de consumo de combustíveis sólidos como lenha e carvão que, além do impacto ambiental, são causadores de doenças bronco-respiratórias.
Muitas iniciativas foram criadas com a finalidade de combater o Câmbio Climático e suas causas. Um dos mecanismos desenvolvidos de maneira que os governos pudessem fomentar a redução destas emissões, foi o acordo firmado entre os países fortemente industrializados na Conferencia de Kyoto (1997), cujo objetivo era o de baixar em media 5,2 % da emissão de 6 gases causadores do Efeito Estufa até o ano de 2010, com base no que se emitia no ano de 1990. Em fevereiro de 2005 o Protocolo de Kyoto foi ratificado para a redução media de 5% aproximadamente dos GHG até o ano de 2012. Os valores nominais são distintos entre regiões ou países .
O Protocolo de Kyoto contempla basicamente três mecanismos para suportar as reduções propostas: O Mercado de Carbono , onde os países que superam suas reduções de emissão podem vender seu excedente a outro; os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) onde países industrializados investem em países em desenvolvimento de maneira que possam utilizar as reduções alcançadas como crédito para suas metas de emissões; e o Joint Implementation onde países industrializados investem em outros países industrializados e a redução alcançada conta a seu favor.
Alguns países fortemente industrializados, com a finalidade de apoiar o alcance dos objetivos do Protocolo de Kyoto, legislam de maneira a impor sanções para aqueles que não cumprem com as metas propostas. Desta maneira, podemos concluir claramente que, o incremento da utilização do GLP nas matrizes energéticas destes países pode e deve ser considerada uma opção viável e eficaz.
Como exemplo, a queima de GLP em veículos automotores frente a carburantes como a gasolina pode representar 27% menos de emissão de GHG (CO 2 ). Além disso, os investimentos para adaptar um motor ciclo Otto para a queima de GLP custa em media uns US$ 500,00, e em muitos casos o custo proporcional do GLP frente a gasolina pode ser a metade.
A questão principal é que o GLP produz muito menos emissões de GHG, quando comparado às fontes de energia convencionais, para aplicações estacionarias: como o aquecimento de água, aquecimento de ambientes, utilização na cozinha, aquecimento industrial e aplicações em transporte. Ademais, o GLP pode perfeitamente complementar a distribuição de fontes de energia renovável, como a solar, eólica, geotérmica e marémotriz. Quando utilizado em combinação com estas, pode incrementar os resultados e reduzir os custos de ciclo de vida.
Quando implantadas políticas de Câmbio Climático, cada tonelada de GHG reduzida ajuda especificamente no contexto do câmbio de emissões. O GLP oferece tremenda oportunidade para diferentes tipos de aplicações industriais para alcançar ou exceder os requerimentos legais de emissões de GHG, e isso é enormemente viável hoje em dia.
Se os responsáveis pela elaboração de normas e políticas puderem considerar o GLP como um forte substituto ou trabalhando em conjunto com outros energéticos, fica a pergunta: Câmbio Climático e o GLP. Podem ser essa a solução?
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